quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Trama

Algo se passa, não consigo falar. A fala é palavra e o que sinto é ar. Enche-me, preenche-me, não hei de enxergar. Falta-me, abala-me, me faz avançar.

Forma que escapa, óbvio que não há. Uma vida própria que emerge na minha e afirma. Projeto que se faz sem meu planejar. (In)tensão inventada, fagulha do choque de espada.

Sim, luto. Para salvar-me do engasgo, formular meu grito, desenhar contornos. Pois a luta é do nascimento que não se calcula; do improviso intencionado; da tartaruguinha que tropeça no novo daquele longo percurso breve, hacia el mar. E nessa luta, o raso é a parte mais funda.

O meu projeto é T-amar.
_____

Aquele que sugeriu o tema, espero que goste.

2 comentários:

  1. A trama é ler de novo. Sim, luto.

    ResponderExcluir
  2. Meu Deus, rs.
    Meu Deus, Paula, comentar o quê?

    "Pois a luta é do nascimento que não se calcula (...) E nessa luta, o raso é a parte mais funda".

    É como se suas palavras me dissessem a mim também. É como quando a gente se silencia diante de um "dito" que não há de ter resposta. É, por si só, mais que pergunta e resposta, mais que causa e efeito. É, puramente, palavras.

    Paula, você diz palavras.

    ResponderExcluir