domingo, 28 de janeiro de 2018

Até não dar mais pé

Ir fundo. Sustentar-me nas profundezas. Não sei nadar. Sempre me mantive no raso, flertando com a parte mais funda. Ouso caminhar em direção ao que não dá pé, mas paro antes de me tirar o chão. Por quê? Por que achar que do chão não passo? A morte do corpo é certa e, em carne, não me penso em outro destino senão o subsolo. Por que acredito que o solo é concreto demais para deixar de ser? O que dizer dos terremotos, então?

A vida é sábia. Até posso aprender com as contradições que ela espelha em mim, mas não é fácil. Ser humana é ser bicho estranho que, onde pensa, acha que se sabe, mas onde não sabe que pensa, se é.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Presente

A chuva cai inabalável. Tranquila. Quente. Verão. O horizonte se dissolve no mar e a tarde finda leve feito raio de sol.

As folhas se balançam contidas, como minhas certezas recém-criadas. A dúvida pesa como a respiração em dias úmidos. A incerteza vem em ondas rasteiras.

Borboletas vêm me visitar convocando-me a amar e a lidar com meus receios.

O que sinto sabem as flores. Elas me expressam melhor do que sei.

Saudade é terra fértil que me faz crescer.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Minuto de Filosofia

Meu coração vibra na pétala daquela flor.
Ou seria a flor que vibra em meu peito?
Botão de rosa que bate pétala por pétala.
Coração que desabrocha.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Espelho

Olheiras marcadas e sobrancelhas espalhadas. Ao redor dos olhos, a pele flácida, feito suas certezas, cansadas de titubear. Olhava para si e via que a morte assusta. A vida também. Lembrava das vidas pelas quais lutou e das dores que não mais se vão. Pensava em histórias pra contar. Ou calar. Já não sabia dizer quais lutas ainda valiam a pena. Sofria de saber.

Ali, em frente a si, olhava a lágrima pesada desabar a dor que a palavra não diz.

domingo, 16 de abril de 2017

De vidas e idas

Aquela emoção que não se deixa ser. Abafada, mofa. A fluidez congelada. A quase onda. A dor amorfa. Uma criança que chora por não saber falar. O choro não vem, porém. Essa dor espanta, arregala. No estômago, o soco do tempo e da repetição. Parece arranhão, que faz o disco soluçar; mas é mar. A vida que te puxa e devolve em outro lugar.

Meus olhos acessam você onde não está. Posso ver, mover, criar. Ouço. Sua voz flutua na espiral do meu desejo. Seu sorriso está comigo mas o sorrir é seu.

A pressão e a preciosidade. O tremor do temor. Queremos encher nossa colher de amor. E não só.