domingo, 18 de março de 2018

Poça d'água

Tem muita coisa sendo compreendida. Isso lhe tira as palavras, a inspiração. Tudo o que sabe é jogar fora. O ar.
Sufoco. Verbo ou substantivo? Os dois. É como ter espinhos.
Esqueceu-se de como se aproximar.
Sabe bagunçar o peito, arrastar o coração ao abismo.
Sai correndo de si mas isso é tudo que pode levar consigo.
Anda desfazendo laços.
Egoísmo vicia, afasta, isola, gela. Quebra relações. Ou apenas protege a pele dos cacos.
Superfície intacta.
Não entende de profundezas. Desconhece suas camadas.
Refém do medo de ser mais, teme se afogar em terra firme.

domingo, 28 de janeiro de 2018

Até não dar mais pé

Ir fundo. Sustentar-me nas profundezas. Não sei nadar. Sempre me mantive no raso, flertando com a parte mais funda. Ouso caminhar em direção ao que não dá pé, mas paro antes de me tirar o chão. Por quê? Por que achar que do chão não passo? A morte do corpo é certa e, em carne, não me penso em outro destino senão o subsolo. Por que acredito que o solo é concreto demais para deixar de ser? O que dizer dos terremotos, então?

A vida é sábia. Até posso aprender com as contradições que ela espelha em mim, mas não é fácil. Ser humana é ser bicho estranho que, onde pensa, acha que se sabe, mas onde não sabe que pensa, se é.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Presente

A chuva cai inabalável. Tranquila. Quente. Verão. O horizonte se dissolve no mar e a tarde finda leve feito raio de sol.

As folhas se balançam contidas, como minhas certezas recém-criadas. A dúvida pesa como a respiração em dias úmidos. A incerteza vem em ondas rasteiras.

Borboletas vêm me visitar convocando-me a amar e a lidar com meus receios.

O que sinto sabem as flores. Elas me expressam melhor do que sei.

Saudade é terra fértil que me faz crescer.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Minuto de Filosofia

Meu coração vibra na pétala daquela flor.
Ou seria a flor que vibra em meu peito?
Botão de rosa que bate pétala por pétala.
Coração que desabrocha.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Espelho

Olheiras marcadas e sobrancelhas espalhadas. Ao redor dos olhos, a pele flácida, feito suas certezas, cansadas de titubear. Olhava para si e via que a morte assusta. A vida também. Lembrava das vidas pelas quais lutou e das dores que não mais se vão. Pensava em histórias pra contar. Ou calar. Já não sabia dizer quais lutas ainda valiam a pena. Sofria de saber.

Ali, em frente a si, olhava a lágrima pesada desabar a dor que a palavra não diz.