segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Numa noite branda de verão

Ali, recostada em seus travesseiros, a vida parecia calma. Era de se acreditar.

Ali, parada, o pulsar da mente apertava o coração, naquela sensação estranha de se sentir existir. Sabia de cada batida no peito. E não queria saber tanto assim.

As palavras estavam cansadas. Há meses impedidas de se encantar, viraram dureza. Em parte. Porque palavra voa, é feita de vento e atrito. Até canto ela vira pra não desencantar.

Ali, parada, deixou-se ser e estar. E enquanto sentia coisas de se duvidar, as palavras vieram mansas, pelos poros lhe atravessaram, tocando-lhe o corpo e nomeando seus afetos. Feito vento que refresca a alma.

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