terça-feira, 20 de agosto de 2013

In quietude

A verdade é nua e crua. Não sabemos o que nos espera. Sabemos apenas que vamos nos boicotar em alguns momentos, mas nem sempre o motivo nos será revelado. Somos mestres em não saber a verdade, pois esta é cruel e inventada. Mas faz sentido quando queremos que faça. É tudo armado, até o amor. É uma farsa, mas não perseguição. Estamos inclusos e fazemos parte dessa repartição de loucura. É tudo ilusão. Mais real impossível. Queremos fugir quando não sabemos mais como gostar do outro, quando não dá mais para olhar e dizer a verdade, pois a verdade nesses momentos já não o é mais. Não queremos mais olhar em outros olhos e enxergar nossas mentidas, que vão nos ferir e aos outros. Queremos então esquecer, coletivamente, para podermos novamente viver juntos, sem termos nos ferido e sequer nos conhecido. É preciso seguir na masmorra, perder a respiração. Ser hipócrita e ferir. É preciso sangrar seu coração. Escorrer pela ferida aberta a dor da ignorância. O tempo às vezes é excesso; às vezes, desvario. Não sabemos mesmo o que falamos quando dizemos. Achamos que vamos conseguir, mas a vida nos faz virar piada. Não somos importantes a não ser para nós mesmos. Somos míopes e egoístas. Todos nós. Quando não, é mentira. Máscara bem vestida; só que não. Sabemos que somos capazes dos piores desejos e das maiores crueldades, mas ainda queremos acreditar que somos bons. Somos todos facas capazes de rasgar o chão.

Um comentário:

  1. Enquanto lia esse texto me lembrei diretamente desta música de Cartola:
    http://www.youtube.com/watch?v=L8U1Y9PBfig

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