domingo, 30 de janeiro de 2011

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Rigor Mortis?

Deveria ter sido diferente. Mas ele teve de ser impulsivo. Foi quando entendi que de fato eu não sabia o significado da palavra proteção. Na verdade não foi nesse quando que entendi, mas depois. Um depois mais que alguns meros dias, quando eu tive de aprender a proteger alguém que agora terá de aprender por um caminho parecido com o meu e o de tantos outros - quase todos -, porém do seu próprio jeito.

Por que teve de me tirar a vida, não sei se consigo me lembrar por completo. Só não queria tê-lo encontrado novamente. Pior, ter lutado com ele novamente. Não sei o que ele sente, não sei o que sabe. Só não sei como explicar a quem eu protegia sua própria morte por uma briga que parecia completamente minha mas que nem eu entendia. E não entendo ainda.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Sabe o que não existe? Pois é... existe.

Se beijos não são promessas, caro Shakespeare, eles não deveriam ser beijos. Pois eles falam pelos cotovelos; tanto, que estes podem até sofrer de cãibra depois. Uma dor que repuxa, corta, demora. Dura... de fato não penso mais que se trate de algo que algum dia vá embora. Aprendemos apenas a negociar com ela: "um pouco de possível senão eu sufoco", já dizia Foucault. Ele sabia... pensa que não?

E Celine... Ah! Celine. Em algum momento acabamos entendendo o quanto, entre antes do amanhecer e do pôr do sol, a vida transborda. É que tudo cabe nessa dobra que se toca e não se fecha; num dentro-fora que se dilui no agora que já é lembrança antes de ir embora. Um passado que, antes mesmo de chegar, manda, pelo vento, seu recado: "I'll be there".

Confesso: das mais explícitas promessas, essa é a que mais detesto. Por sentir nela a verdade que é, mesmo ainda sem ser; aquela amostra grátis que a gente finge não querer.

Somos mesmo é delicadamente hábeis no cultivo da dor, tanto da que move, quanto da que mata - passando pela que esmaga.

Está chegando a hora de jogar na sua cara o que me engasga.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

sábado, 6 de novembro de 2010

O Reino Encantado de Ali-é-nada

Era uma vez uma menina que sonhava em ter o mundo em seus braços. Ela sabia que eles ainda eram pequenos demais para isso, porém, acreditava que quando virasse gente grande tudo se resolveria. No começo as pessoas achavam que era apenas brincadeira da menina; acreditavam que ela realmente entendesse que a possibilidade de ela abraçar o mundo era tão evidente quanto a de se tornar uma chiquitita.

A menina cresceu, e com ela, a ambição de dar conta daquela esfera encantadora. Seus olhos brilhavam ao imaginar a cena e ela não via a hora de poder realizá-la, enfim, depois de anos de treino às escondidas. O grande dia chegou; um dia que acabou se estendendo também por anos. Isso porque ela não largou mais aquela esfera por mais que não a conseguisse rodear. A menina, agora mulher, convicta, dizia que voltaria para sua vida apenas quando conseguisse abraçar o mundo. Mas de fato ela não conseguiu. E o espanto tomou conta do mundo, porque todos, absolutamente todos, por tão impressionados com aquela convicção de anos, chegaram mesmo a acreditar na força daquela mulher.

Esta mulher, contudo, sempre soube que teria de ceder em algum momento. Afinal, um mundo, não se segura sozinho.

Ok. Mas quando foi que eu pedi ajuda para que o colocassem em minhas costas?

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Leveza...

- O que foi?
- ... Nada. Só estava tentando ler sua mente.
- Hum... E o que você descobriu?
- Ia dizer que era segredo, mas não é nada que você já não saiba.
- ... Posso ao menos saber em que ponto você parou?
- Fui interrompida justamente no ponto em que me perguntava quando é que você me beijaria.

Vi em seu rosto uma surpresa ligeira. Não era susto. E meus olhos, desta vez, pareciam corajosos o suficiente para permanecerem sobre meu objeto de desejo, sem titubearem.

Pude vê-lo segurar um forte suspiro inacabado, enquanto seu pé direito lançava-se sobre aquela insustentável iminência. Em milésimos, seu corpo urgente estava cortando o ar. Vinha em minha direção elegantemente veloz. Parecia vencer o tempo.

A cada passada dele, sentia-me mais imóvel; o ar deixava meus pulmões impiedosamente e meu coração escalava-me a garganta. Certamente as pulsações far-me-iam explodir, se ele não tivesse chegado a tempo de desativar-me. Já podia sentir seu ardor enlevando-me. Fechei os olhos reflexivamente e...

Nada. Tornei a abri-los devagar, agora temerosa quanto ao meu destino. Será que desistira de mim?

Mas ele ainda estava lá, a menos de meio palmo de mim. Sua quentura continuava atingindo-me. Como eu já não mais respirava, tudo que podia ouvir eram os berros em meu peito e as arfadas nervosas (d)ele desnorteando algumas mechas de meu cabelo. Elas dançavam confusas, num ritmo desrítmico, enquanto ele rematava o que restara do espaço entre nós.

Tocou-me. Sua bochecha... na minha. Ainda lá, parecia desenhar borbulhas em minha pele, ao correr minha face com a ponta do nariz. Ele respirava em mim. Agora seus lábios beijavam-me a face e desciam lentamente...

Inacreditáveis...

Ardentes...

Sedutores.

Pacientemente, tocaram os meus. E lá permaneceram passeando levemente, como se tentasse devolver-me o ar com seus ofegos. Não pude me conter diante daquela tensão. Comecei a responder a suas carícias ansiosamente ao mesmo tempo em que deixava minhas mãos tomarem o caminho que quisessem. Elas tocaram-no o tórax... pescoço... mandíbula... nuca. Elevavam-se ao ritmo daquela realidade que de tão transversal, paralela se tornara. Ele apertava-me contra si; suas mãos em minha cintura... contornavam-na vigorosamente.

Fogo. Era tudo o que éramos no momento. Uma intensa labareda invisível. Podíamos apenas sentir-nos um ao outro e afogar-nos naquela impetuosidade extasiante.

Estava amarrotando-me... friccionando-me... inflamando-me. E cada toque fazia-me querer mais um gole daquela perdição.
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... afinal, o ar quente sobe.

Esboço primeiro: 10/11/08.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Trama

Algo se passa, não consigo falar. A fala é palavra e o que sinto é ar. Enche-me, preenche-me, não hei de enxergar. Falta-me, abala-me, me faz avançar.

Forma que escapa, óbvio que não há. Uma vida própria que emerge na minha e afirma. Projeto que se faz sem meu planejar. (In)tensão inventada, fagulha do choque de espada.

Sim, luto. Para salvar-me do engasgo, formular meu grito, desenhar contornos. Pois a luta é do nascimento que não se calcula; do improviso intencionado; da tartaruguinha que tropeça no novo daquele longo percurso breve, hacia el mar. E nessa luta, o raso é a parte mais funda.

O meu projeto é T-amar.
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Aquele que sugeriu o tema, espero que goste.